Hoje pela manhã, o (ir)responsável pela ANAC, Sr. Milton Zuanazi, declarou que a ANAC não tem nada a ver com o acidente de Congonhas porque não caberia a agência o controle das atividades das cias. aéreas.
Nada a estranhar, pois o Sr. Ministro da Defesa, Waldir Pires já declarara que seu ministério não é responsável pelo controle do espaço aéreo e pela organização das atividades das mesmas cias. aéreas.
O que também é um reflexo do Sr. Presidente da República, que mais de uma vez disse que não era com ele ou que não sabia de nada.
O Presidente da TAM e seus Diretores também informaram que o Airbus pode voar sem o reverso e que isto não teve nada a ver com o acidente.
Alguns meios de comunicação começam a dar espaço a idéia de que o congestionamento de Congonhas não teve nada a ver com o acidente.
Se Congonhas fôsse Narita, o aeroporto japônes de maior tráfego aéreo, e o acidente tivesse acontecido lá, a esta altura os brasileiros estariam chocados com o (provável) suicídio do Diretor da agência japonesa encarregada do transporte aéreo. O Responsável pela cia. aérea provavelmente teria tomado caminho semelhante. Para aquela cultura milenar, a vergonha pelo acontecido em um setor ou empresa de sua responsabilidade não pode ser apagada. Pode ser apenas diminuída pelo suicídio ritual.
No Brasil, o acidente foi culpa da chuva, da tripulação e de quem mais não puder se defender.
Nem governo, nem empresas envolvidas assumem a responsabilidade.
Indo mais longe, os responsáveis pela obra na pista, onde estão? Porque não publicam, nos jornais de circulação nacional, as cartas que enviaram a INFRAERO e à ANAC pedindo que a pista NÃO fôsse liberada antes do final das obras.
Ou a sociedade brasileira entende o que está acontecendo e começa a mudar seus valores ou então continuaremos ladeira abaixo na (ir)responsabilidade geral.
segunda-feira, 23 de julho de 2007
terça-feira, 10 de julho de 2007
Mais um exemplo da mão-de-obra chinesa em fábricas de revestimento cerâmico. Os carrinhos são a versão chinesa da empilhadeira.
Detalhe importante: isto acontece em uma empresa chinesa de primeira linha, pois só estas empresas estão autorizadas a produzir para a exportação e podem ser visitadas por estrangeiros.
Em termos brasileiros, apesar de todos os nossos problemas, encontrar algo assim numa empresa é muito difícil.
Além da gestão governamental sobre o câmbio, a manufatura fortemente baseada numa mão-de-obra extremamente barata torna a "economia de mercado"chinesa um concorrente muito difícil de ser batido.
Resta as empresas nacionais passarem a usar a China como manufatura e ficarem com a parte de gerenciamento de marcas e desenvolvimento de produtos. Pelo menos até os chineses chegarem lá também.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Competir com a China, quem há de?
Esta foto, feita em 2006, durante uma visita a fabricantes chineses de revestimentos cerâmicos, ajuda a explicar porque é quase impossível competir com os custos chineses: eles são intensivos em mão-de-obra chinesa, barata e abundante.
Carrinhos de mão ao invés de empilhadeiras, e é mais ecológico, pois não usa eletricidade ou gás para movimentar os materiais. Tudo movido pela ação muscular do operador.
Alguém aí sabe como se diz economia de mercado em mandarin ou cantonês?
Paradoxos do RH
Pequenos paradoxos do mercado de trabalho
Empresas e mais empresas de recrutamento utilizam a Internet e outros meios de divulgação para oferecer seus serviços em um mercado repleto de profissionais em busca. Uns em busca do primeiro emprego, outros em busca de uma oportunidade melhor, outros em busca de mais salário, outros ainda buscando uma mudança de vida.
Quando um profissional vai conversar com um desses "caçadores de cabeça" se passa um diálogo interessante e non-sense: o recrutador, travestido de conselheiro, revela ao candidato (ou candidata) que 70% (o percentual pode variar de acordo com a honestidade do recrutador) da probabilidade de encontrar a tão sonhada posição vai depender do seu "networking". Aliás, isto também está nas páginas das revistas que falam de carreiras (e quantas há, hoje em dia).
Mas se 70% da chance depende do meu networking, porque os serviços do recrutador custam tão caro?
Empresas e mais empresas de recrutamento utilizam a Internet e outros meios de divulgação para oferecer seus serviços em um mercado repleto de profissionais em busca. Uns em busca do primeiro emprego, outros em busca de uma oportunidade melhor, outros em busca de mais salário, outros ainda buscando uma mudança de vida.
Quando um profissional vai conversar com um desses "caçadores de cabeça" se passa um diálogo interessante e non-sense: o recrutador, travestido de conselheiro, revela ao candidato (ou candidata) que 70% (o percentual pode variar de acordo com a honestidade do recrutador) da probabilidade de encontrar a tão sonhada posição vai depender do seu "networking". Aliás, isto também está nas páginas das revistas que falam de carreiras (e quantas há, hoje em dia).
Mas se 70% da chance depende do meu networking, porque os serviços do recrutador custam tão caro?
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Dinheiro para a eleição
A imprensa em geral e muitos analistas da cena política brasileira, em seus comentários sobre corrupção, lobby e contribuições para campanhas, pouco ou nada têm contribuído para a análise do modelo de financiamento de campanha poilítica que queremos para o nosso país.
Em primeiro lugar, precisamos entender que uma campanha para um cargo público custa (muito) dinheiro. Podemos começar a perder tempo aqui, discutindo como fazer para que as campanhas sejam mais baratas (ou menos caras), mas isto não ataca o ponto básico: mesmo barata (conceito relativo), uma campanha custa dinheiro.
Se não houver um mecanismo de captação de recursos, só quem já têm dinheiro poderia gastá-lo para buscar uma eleição. Isso levaria a uma dificuldade ainda maior das classes menos favorecidas se fazerem representar, o que reduziria a representatividade da nossa democracia.
Por outro lado, a origem do dinheiro é menos importante: pouco se sabe, se publica e se divulga sobre o cruzamento das fontes oficiais de uma campanha. Fica difícil, por exemplo, identificar aquelas empresas que contribuem para vários candidatos, as vezes de partidos tidos como "inimigos".
A menos que se adote o modelo de financiamento público exclusivo, a desigualdade tende a permanecer: se o candidato A pertence a uma classe mais abastada, tende a ter um ponto de partida ($$$) nos seus próprios recursos e tende a ter os contatos que lhe permitiriam angariar mais fundos, mais rapidamente.
Em muitas democracias mais antigas, pratica-se esta modalidade por falta de outra melhor e por crer que, desde que feita legalmente e com transparência, a doação para campanha de alguém é uma forma lícita de defender interesses igualmente lícitos.
Se, por exemplo, um banco apóia um candidadto A, e o sindicato dos empregados neste banco apóia B, teremos uma tendência ao equilíbrio e a uma disputa (mais ou menos) equilibrada.
Na sociedade brasileira, o problema maior reside em outro aspecto: condena-se a doação legal, declarada, e convive-se com a doação ilegal, via Caixa 2, das empresas para as campanhas.
Interessante notar que o que se aponta como fonte de corrupção aos políticos, nasce de um fundo ilegal (o Caixa 2), criado a partir da sonegação fiscal. Poderia ser chamado de corrupção profunda.
A condenação da doação legal pelo fato em si, muito comum em nosso meio, acaba empurrando a questão para um simplismo tolo: se um político aceita dinheiro de doações, ele com certeza está "comprado" pelos doadores. Se ele não aceita, provavelmente não têm como pagar uma campanha. Ou então ele aceita a doação ilegal!
O aspecto menos discutido, é a ligação entre os doadores da campanha de um candidato e o comportamento deste candidato nas votações. Em democracias mais antigas e experientes, há mecanismos, oficiais ou não, para acompanhar os votos de cada Congressista e relacionar (ou não) o voume de doações com os votos em temas de interesse dos doadores. Assim é possível saber, por exemplo, nos EUA, quanto um congressista recebeu de doações e como ele vota (tem gente que recebe doação, agradece e vota com a sua consciência).
Seria interessante (até para os que pagam) saber como fica isto no Brasil. Creio que talvez alterasse os hábitos de contribuição das empresas se elas vissem como votam aqueles para quem elas deram dinheiro!
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Violência x álcool
Na semana passada, o Secretário de Segurança do Rio Grande do Sul propôs aos 10 munícipios mais violentos do estado a interrupção da venda de bebidas alcoólicas nas noites de sexta e sábado, como forma de reduzir a violência.
Pouco tempo antes, o Ministro da Saúde estabeleceu uma polêmica pública com Zeca Pagodinho com relação a publicidade de bebidas.
A sociedade brasileira aparentemente está mais uma vez mostrando uma de suas faces mais cruéis: indignação com os resultados mas quase nenhuma vontade de atacar as causas.
Como no caso do cigarro, anos atrás, o álcool participa da violência e causa prejuízos materiais e humanos sem que as pessoas, e por consequência, muitas autoridades, queiram admitir o chamado nexo causal.
Fulano tem um comportamento agressivo. Se tiver tomado "umas", o comportamento agressivo pode se transformar em uma surra na mulher ou nos filhos. Se ele for dirigir, pode matar, ferir ou demolir carros, pessoas e outros bens. Se tiver arma em casa, o excesso de bebida pode terminar em tiroteio.
Mas nós gostamos de achar que antes de tudo vem o problema social, senha para não fazer nada.
O álcool em excesso não prejudica apenas ao alcólatra. Este é um doente que deve ser tratado. A piada antiga mas instrutiva já descreve: ao beber, o homem vai assumindo a forma de animais. Primeiro o Macaco, dizendo e fazendo coisas engraçadas, ficando espirituoso, etc. Depois o Leão, que manda em todos, ruge, provoca, etc. Por fim, o Porco, vomitando em tudo, sujando tudo, etc.
Lamentavelmente, os próprios representantes das Prefeituras, no caso do RS, citaram a necessidade de medidas sociais (sem dizer quais), e o desemprego (dos funcionários dos bares e casas noturnas), como razões para não colaborar com o Secretário de Segurança, enquanto o pagodeiro dizia para o Ministro "deixar o Zeca trabalhar".
Se o Zeca limitasse o seu trabalho a música, e se a sociedade brasileira, através de todos os seus mecanismos, apoiasse realmente o uso consciente da bebida alcólica, talvez a situação pudesse evoluir.
Caso contrário, vamos continuar a acreditar que só quando todos tiverem emprego, só quando todos tiverem educação, é que se poderá começar a reduzir a violência. Aí pode ser tarde demais, ou pode não chegar nunca!
Pouco tempo antes, o Ministro da Saúde estabeleceu uma polêmica pública com Zeca Pagodinho com relação a publicidade de bebidas.
A sociedade brasileira aparentemente está mais uma vez mostrando uma de suas faces mais cruéis: indignação com os resultados mas quase nenhuma vontade de atacar as causas.
Como no caso do cigarro, anos atrás, o álcool participa da violência e causa prejuízos materiais e humanos sem que as pessoas, e por consequência, muitas autoridades, queiram admitir o chamado nexo causal.
Fulano tem um comportamento agressivo. Se tiver tomado "umas", o comportamento agressivo pode se transformar em uma surra na mulher ou nos filhos. Se ele for dirigir, pode matar, ferir ou demolir carros, pessoas e outros bens. Se tiver arma em casa, o excesso de bebida pode terminar em tiroteio.
Mas nós gostamos de achar que antes de tudo vem o problema social, senha para não fazer nada.
O álcool em excesso não prejudica apenas ao alcólatra. Este é um doente que deve ser tratado. A piada antiga mas instrutiva já descreve: ao beber, o homem vai assumindo a forma de animais. Primeiro o Macaco, dizendo e fazendo coisas engraçadas, ficando espirituoso, etc. Depois o Leão, que manda em todos, ruge, provoca, etc. Por fim, o Porco, vomitando em tudo, sujando tudo, etc.
Lamentavelmente, os próprios representantes das Prefeituras, no caso do RS, citaram a necessidade de medidas sociais (sem dizer quais), e o desemprego (dos funcionários dos bares e casas noturnas), como razões para não colaborar com o Secretário de Segurança, enquanto o pagodeiro dizia para o Ministro "deixar o Zeca trabalhar".
Se o Zeca limitasse o seu trabalho a música, e se a sociedade brasileira, através de todos os seus mecanismos, apoiasse realmente o uso consciente da bebida alcólica, talvez a situação pudesse evoluir.
Caso contrário, vamos continuar a acreditar que só quando todos tiverem emprego, só quando todos tiverem educação, é que se poderá começar a reduzir a violência. Aí pode ser tarde demais, ou pode não chegar nunca!
terça-feira, 22 de maio de 2007
Crédito positivo e a economia
Cresce no Brasil o debate sobre o crédito positivo. De forma oposta ao SPC e outros registros negativos hoje vastamente usados no país, o crédito positivo informa o lado correto e identifica os bons pagadores.
A facção brasileira que é contrária a este novo fator nas relações entre consumidor e fornecedores se preocupa (aparentemente) com a maior circulação de informações sobre o consumidor e a consequente perda de privacidade.
Justificando o nome do blog, aqui vai a minha opinião, e desde já declaro a minha total parcialidade, influenciada pela experiência americana: sou completamente a favor do perfil de crédito positivo.
Para entenderem o porquê, um pouco de como funciona o modelo americano: a medida em que você tem compromissos mensais, como a conta da água, da luz, o aluguel, etc., você vai criando um perfil. Tem gente que paga suas contas sempre em dia, tem gente que paga antes do vencimento, tem gente que esquece, etc.
Lá, agências especializadas (pelo menos 3, as maiores), acompanham estas informações e as disponibilizam para quem vende produtos ou serviços. Você entra numa loja, compra algo a crédito, ou um serviço, como um celular, e a loja solicita a análise do seu perfil. Baseado no seu comportamento anterior, a agência de crédito dá uma opinião sobre a sua capacidade de honrar os pagamentos. E a loja concede o crédito, ou entrega o serviço.
A grande vantagem disso é a forma pela qual este mecanismo se tornou universal na economia americana. Através dele você usufrui os principais benefícios de uma economia estável (com quase nenhuma inflação) e com pleno emprego. De um celular ao leasing de uma Mercedes Benz, tudo é feito com base no crédito. Claro que com taxas de juro diferentes das nossas.
No caso brasileiro, o crédito positivo reduziria uma das justificativas usadas para o crédito mais caro do mundo (a nossa taxa real de juros ao consumidor). O "spread" bancário ficaria mais "transpaerente", ou seja, ficaria mais claro o que é risco de crédito e o que é uma taxa real de juros absurda, balizada pelo grande tomador, o Senhor Governo.
Obviamente, num país onde se compra o CD com o cadastro de CPFs no camelô da esquina, a privacidade dos dados é relativa. O que os americanos descobriram é que ter acesso ao seu próprio histórico de crédito é a forma mais eficiente de evitar o roubo de identidades, ou seja, saber que alguém usou os seus dados para pedir um cartão de crédito ou pior, interceptou o cartão não solicitado, enviado a você e usado por terceiros em seu nome, que só vai aparecer no dia em que o SPC ou o SERASA derem negativos. garantir esse direito (que nos EUA é um serviço que custa cerca de 40 dólares por ano) é uma das missões para os órgãos reguladores brasileiros.
A facção brasileira que é contrária a este novo fator nas relações entre consumidor e fornecedores se preocupa (aparentemente) com a maior circulação de informações sobre o consumidor e a consequente perda de privacidade.
Justificando o nome do blog, aqui vai a minha opinião, e desde já declaro a minha total parcialidade, influenciada pela experiência americana: sou completamente a favor do perfil de crédito positivo.
Para entenderem o porquê, um pouco de como funciona o modelo americano: a medida em que você tem compromissos mensais, como a conta da água, da luz, o aluguel, etc., você vai criando um perfil. Tem gente que paga suas contas sempre em dia, tem gente que paga antes do vencimento, tem gente que esquece, etc.
Lá, agências especializadas (pelo menos 3, as maiores), acompanham estas informações e as disponibilizam para quem vende produtos ou serviços. Você entra numa loja, compra algo a crédito, ou um serviço, como um celular, e a loja solicita a análise do seu perfil. Baseado no seu comportamento anterior, a agência de crédito dá uma opinião sobre a sua capacidade de honrar os pagamentos. E a loja concede o crédito, ou entrega o serviço.
A grande vantagem disso é a forma pela qual este mecanismo se tornou universal na economia americana. Através dele você usufrui os principais benefícios de uma economia estável (com quase nenhuma inflação) e com pleno emprego. De um celular ao leasing de uma Mercedes Benz, tudo é feito com base no crédito. Claro que com taxas de juro diferentes das nossas.
No caso brasileiro, o crédito positivo reduziria uma das justificativas usadas para o crédito mais caro do mundo (a nossa taxa real de juros ao consumidor). O "spread" bancário ficaria mais "transpaerente", ou seja, ficaria mais claro o que é risco de crédito e o que é uma taxa real de juros absurda, balizada pelo grande tomador, o Senhor Governo.
Obviamente, num país onde se compra o CD com o cadastro de CPFs no camelô da esquina, a privacidade dos dados é relativa. O que os americanos descobriram é que ter acesso ao seu próprio histórico de crédito é a forma mais eficiente de evitar o roubo de identidades, ou seja, saber que alguém usou os seus dados para pedir um cartão de crédito ou pior, interceptou o cartão não solicitado, enviado a você e usado por terceiros em seu nome, que só vai aparecer no dia em que o SPC ou o SERASA derem negativos. garantir esse direito (que nos EUA é um serviço que custa cerca de 40 dólares por ano) é uma das missões para os órgãos reguladores brasileiros.
Assinar:
Postagens (Atom)